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Título:
Spore Creatures
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Editor:
Electronic Arts
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Produtor:
Maxis
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Género:
Simulação
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Site:
N/A


PREVIEW: SPORE CREATURES

Evolução. A evolução acarreta consigo a mudança. Esta pode dar-se a um ritmo lento e gradual ou ser tão repentina que mal há tempo para nos apercebermos do sucedido. Como tal, a evolução implica ocasionalmente a revolução. Spore é, de diversas maneiras, um testemunho da evolução verificada nos videojogos, não só devido ao seu conceito original ligado à ideia de evolução das espécies (criar de raiz um ser vivo e levar a sua raça ao domínio da galáxia), como também à mistura estranha de géneros (RPG, simulador de uma vida, jogo de estratégia, God-game,..) e componente técnica bem trabalhada. Mas não era esta a grande ambição da nova aposta de Will Wright. O criador americano almejava produzir um título revolucionário, um jogo que viesse a influenciar o futuro da indústria. Foi com expectativa que pusemos as mãos na demonstração da versão DS de Spore, intitulada Spore Creatures (uma demo a que podem aceder no Nintendo Channel da Wii). O produto final pode até apresentar uma qualidade ímpar e vir a ser uma autêntica revolução, mas esta demo parece ignorar completamente o manual Como Fazer uma Boa Demonstração, o que é no mínimo incompreensível para um jogo desta dimensão.

A regra fundamental e que se encontra na base do anteriormente referido “manual” (seguido por conceituados técnicos como o Dr. 42 All-Time Classics e o Prof. Ninja Gaiden Dragon Sword) é a de oferecer à comunidade uma experiência interessante, cativante, com conteúdo. Afinal de contas, esta demonstração serve o propósito de impressionar os jogadores, como tal é de convir que se exiba uma secção do jogo onde os pontos fortes sejam realçados (quer seja o grafismo, o sistema de combate, a história, o conceito…) e os defeitos não sobressaiam. A demo de Spore Creatures, contudo, é oca, desinteressante: consiste apenas do Criador de Criaturas (Creature Creator), com opções limitadas, e de um “passeio” pela ilha onde o jogo decorre.

No Creature Creator podemos criar de raiz um ser vivo, seleccionando-se primeiro uma parte do corpo, seguindo-se a escolha de um modelo “pré-definido” para essa parte do corpo e culminando na colocação desse membro, a nosso bel-prazer, algures no touch-screen da portátil. Este criador de personagens ainda em estado incompleto é bastante divertido, e consegue já superar a mesma modalidade de muitos jogos recentes.

A selecção de certos membros influencia as capacidades da criatura em termos de ataque, defesa, movimentação e habilidades especiais. Há por isso que optar racionalmente pelas partes a usar de modo a fazer uma boa gestão das estatísticas da personagem, sendo proibido o foco exclusivo no seu aspecto físico. Num apontamento interessante, é de referir o facto da nossa criatura se movimentar no ecrã de cima durante esta fase, reflectindo em tempo real o posicionamento dos membros e o peso destes. Um pormenor simples, mas sem dúvida muito simpático e merecedor de nota positiva.

A seguir à fase de criação de uma personagem costuma vir a parte interessante de um jogo que é curiosamente (ou não) o jogo em si. Não nesta demo. Após nomearmos a nossa criação, somos transportados para uma ilha deserta onde apenas podemos arrastar o stylus e guiar a criatura de um lado para o outro. Não há qualquer sentido de propósito nesta demonstração, não existe qualquer indicação quanto ao enredo, desconhecemos o objectivo do jogo… Limitamo-nos a passear, observando o cenário envolvente - num 3D aceitável mas claramente subaproveitado em cenários pobres e desprovidos de vida - e ouvindo uma melodia que não passa do “agradável”. Porque é que tivemos de criar um ser vivo para vislumbrar algo tão desinteressante? Para quê as preocupações com os níveis de ataque e defesa durante a fase de criação? E para que serviu esta amostra de Spore Creatures? Mistérios a que só a EA saberá dar resposta.

Nada de verdadeiramente cativante foi exibido, nem a nível técnico (onde um grafismo mediano e uma banda-sonora apenas engraçada não conseguem reclamar atenções), nem a nível de conteúdo (como é possível perceber por tudo o que foi descrito até agora). A EA promete que o jogo final vai responder de forma positiva a todas estas críticas, com uma história que nos levará a seis mundos temáticos diferentes com o intento de salvar a galáxia e uma jogabilidade em que a personalização das nossas criaturas vai desempenhar um papel activo no desenrolar dos combates e resolução de puzzles. Esperamos que o resultado corresponda à expectativa criada até hoje pela empresa norte-americana, e que esta demo mediana não constitua o prenúncio de um jogo desapontante.

Rodrigo Dias









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